EMPREGADO: espécie em extinção

“Os tempos mudaram, a legislação trabalhista se tornou obsoleta.
Temos que promover a espécie humana de empregado para trabalhadores,
pois na forma que se encontra caminha para a extinção…”

O trabalhador é uma espécie que evoluiu muito nos últimos tempos, haja vista que a pouco mais de 100 anos ainda existia a escravidão em nosso país. Com a implantação da legislação que regulamentou o trabalho remunerado passou a denominar o trabalhador de empregado, deixando os demais trabalhadores sem denominação. Se houve evolução por parte do trabalhador não ocorreu com a legislação que está há mais de 60 anos sem atualização.

Assim surgiram os beneficiários deste empregados criando impostos sobre o seu rendimento, além de taxar os empregadores com mais de 100% de encargos trabalhistas incidente sobre a folha de pagamento. Ao mesmo tempo apareceram os defensores dos empregados, criado sindicatos, fundando partidos usando o nome dos trabalhadores, além de surgirem os órgãos para resolver os conflitos trabalhistas.

De tanta preocupação com interesses próprios, esqueceram que a legislação trabalhista precisa de atualização, fizeram tanta confusão nesse curto período de tempo que se preocuparam mais com o emprego deixaram o trabalho sem guarida. Assim o empregado sem ter o meio trabalho para sobreviver entrou no rol de espécie ameaçada de extinção.

Cuidar do meio ambiente é responsabilidade conhecida, porém há necessidade do surgimento de uma nova categoria de defensores, para cuidar do meio trabalho a fim de afastar essa legião que estão degradando o meio em que sobrevive o trabalhador.

Segundo o IBGE, o Brasil tem atualmente 178 milhões de habitantes, que descontados os menores até 14 anos e idosos acima de 70 anos e uma parte de deficientes sobram 60 milhões de trabalhadores em potencial para participarem do meio trabalho.

Porém o trabalho como hoje está disciplinado, estima-se que existem apenas 27 milhões de empregados com registro em carteira, sobrando 33 milhões de trabalhadores sem denominação, que estão à beira da extinção por falta de trabalho regulamentado.

Fora à extinção por desemprego, os próprios representantes dos empregados se extinguiu como tal na medida que deixaram sua profissão para perpetuar-se no cargo. E os políticos: são empregados, trabalhadores ou qual a sua profissão? Existem os que defendem que política não é profissão. Igualmente as estatísticas do trabalho não classifica a dona de casa como tendo um emprego. O aposentado, que muito embora acabe continuando a sua atividade ou exerça trabalho social, mas sendo um inativo, não é um empregado.

O golpe de misericórdia na extinção da espécie vem de segmentos sindicais e políticos organizados que tendo ojeriza ao patrão, comportam-se como os que querem a sua extinção, e assim excluí-lo do meio trabalho. Da forma como está regulamentado legislação do trabalho sem patrão não pode existir empregados, o que me leva a concluir que se já estão extintos os que estão desempregados, acabam sendo extintos os que estão empregados, não restando, portanto uma única vaga de trabalho pela legislação vigente.

Os tempos mudaram, a legislação trabalhista se tornou obsoleta. Temos que promover a espécie humana de empregado para trabalhadores, pois na forma que se encontra caminha para a extinção e passará a ser peça de museu, sendo, portanto urgente à implementação de estratégias de preservação e salvação dessa importante espécie do meio trabalho.

João de Araújo é pós-graduado em RH, advogado e consultor trabalhista e diretor da Abal Serviços Gestão de Serviços Ltda.