REFORMAS: tem gente chiando

“Não devemos esquecer que se todas essas reformas não sair a contento,
o povo brasileiro tem a possibilidade e o direito de reformar
os seus governantes e legisladores”

Muito embora as reformas seja um desejo de todos, as até aqui encaminhadas pelo novo governo está fazendo barulho em parte da população. A reforma da Previdência tem a intenção de reduzir as desigualdades acumuladas ao longo de anos anteriores, porém mexe com expectativa de direitos de pessoas que até então se encontravam em situação confortável, e de repente se transformaram em descontentes.

E o chiado contra a reforma da Previdência vem de gente graúda, que representam poderes da República, estes chegando a cúmulo de pleitear uma reforma previdenciária exclusiva só para eles.

Aprendi desde cedo, que se você tem uma produção surpreendente, é justo que tenha algum privilegio, agora, do jeito que anda a produção desse pessoal, será difícil convencer os legisladores de suas reivindicações.

O novo governo tem sustentado que levará as reformas adiante, mesmo tendo que mexer num vespeiro de privilégios e desagradando categorias que perderão benefícios. Tudo em nome de um regime igual para todos, o que é digno de elogios.

Os empresários também não estão muito satisfeitos com a reforma tributária, e neste sentido já fizeram um protesto, ou melhor, um chiado em Brasília. Aliás, esta reforma tributária está longe de ser a ideal. As mudanças propostas segundo os analistas, irão aumentar ainda mais a nossa carga tributária, além de não eliminar os mais de 50 impostos que pagamos durante o ano.

Segundo um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, mostra que a carga de impostos sobre a população brasileira chegou a 41% sobre o PIB. Há dezoito anos atrás o provo brasileiro pagava 20% do PIB de impostos.

Equivale a dizer que a cada pinga que se bebe, uma vai para o santo, ou melhor, você sustenta uma família em casa e a outra fora que é o governo.

Vem aí a reforma trabalhista. Esta vai dar pano para manga e não se sabe o que pode sair. Os sindicalistas, a maioria aliados com o novo governo já estão na expectativa de verem suas reivindicações atendidas. Os trabalhadores e empresários também estão com idêntica expectativa. Não sei se vai sobrar benefício para alguém, só espero que a reforma trabalhista tenha como beneficiário maior o próprio trabalho, pois para ser justo e digno depende de seu correspondente em leis equivalentes.

Temos ainda a reforma agrária, a reforma política, a reforma da reforma e outras tantas. Não devemos esquecer que se todas essas reformas não sair a contento, o povo brasileiro tem a possibilidade e o direito de reformar os seus governantes e legisladores.

O que veremos nos próximos meses é que haverá muita discussão sobre quem ganha e quem perde com as reformas que irão modificar direitos dos cidadãos de uma forma ou de outra. Minha torcida é que as mudanças resistam aos chiadores de plantão e não fiquem no meio. Que sejam para melhor e para a maioria do povo brasileiro.

João de Araújo é pós-graduado em RH, advogado e consultor trabalhista e diretor da Abal Gestão de Serviços Ltda