PLANTANDO PATRÕES: colhem-se empregos

PLANTANDO PATRÕES: colhem-se empregos

É razoável acreditar na frase proferida há mais de 500 anos por Pero Vaz de Caminha, quando ao retratar para o rei de Portugal as maravilhas da terra recém descoberta disse em carta histórica que aqui em se plantando tudo dá.

Passado todo esse tempo dessa afirmação, e mesmo considerando que nosso país é tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, porém querer plantar patrões está claro que é um exagero. Digo mais: neste assunto em se plantando tudo dá, pode dar até confusão. E acho que muitos de vocês também devem estar estranhando a maneira como iniciei tratando do assunto.

Quero dizer que não existe em nosso país nenhuma ação concreta que possa incentivar a criação e formação de um patrão. As escolas não estão preparadas para atender a finalidade específica. Todos os patrões que conheço se formaram sozinhos com a cara e coragem.

A burocracia é enorme para se tornar um patrão, é quase um calvário. Tem que ter uma sede, contrato social, abertura na Junta Comercial, Cartório de Registro, Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ, Inscrição no Estado, na Prefeitura, na Cetesb no Corpo de Bombeiros, taxa disso, taxa daquilo, xerox, reconhecimento de firmas, autenticações, etc.

Segundo dados do Banco Mundial o candidato a patrão tem que cumprir uma rotina de 95 itens. Este processo demora em média 152 dias no Brasil, e apenas 2 dias na Austrália. Em um determinado momento do processo ocorre um entrave. Se conseguir resolver tudo como manda o figurino terá que contratar um contador para cuidar da papelada.

Se conseguir exercer a atividade terá uma lista de 61 impostos a recolher além da necessidade de vários profissionais para cuidar de toda burocracia trabalhista e tributária.

Superado todos os desafios de ser patrão, terá que ir atrás de clientes e finalmente contratar empregados. É nesse ponto que quero chegar. Chegou o grande momento de colher empregos.

Porém o que está ocorrendo há mais de 500 anos todo mundo estão pensando nos empregos sem ao menos notar que para que isso ocorra tem que ter patrões, e muitos.

As categorias sindicais e alguns partidos políticos se colocam contra os patrões, muito embora dizem ser defensores dos frutos que são os empregos. Afirmam que está havendo exploração da classe trabalhadora e pregam: abaixo o patrão, patrão é ladrão, etc. Extinguindo o patrão, como poderemos ter empregos? Seria o mesmo que derrubar uma árvore e exigir frutos.

Os seguidores da campanha contra os patrões, precisam inventar outras alternativas de geração de empregos onde não exista a figura do patrão.

É um privilégio estarmos vivendo sobre o mesmo solo, no mesmo país, na mesma língua, e estamos perdendo uma rara oportunidade de mudar o conceito de explorador e explorado, passando a prática da parceira. No Brasil existe um elevado nível de desentendimento nas relações dos empregados com os empregadores onde todos perdem.

Chegou à hora de responder ao chamado de Pero Vaz de Caminho e se colocar inteiramente a serviço do crescimento humano plantando o que for necessário para colher os frutos. Empregos não caem do céu, é necessário ter uma planta para gerá-los, e pela nossa legislação trabalhista o único capaz de dar empregos é o patrão. Daí a necessidade de plantar e regá-los para que dê o fruto necessário.