SOU BOM, VEZES BONZINHO E OUTRAS NEM TANTO

Certa vez encontrei em um botão de sinaleiro de passagem do trânsito, um papel com a seguinte anotação:

“A melhor pessoa do mundo nunca foi uma pessoa”.

Acho que era uma mensagem com conteúdo religioso.

E aí, adaptei para o seguinte pensamento:

“A melhor pessoa do mundo nunca foi uma pessoa, portanto o melhor medidor é a média”.

A noção de que as pessoas são perfeitas é próprio de quem está apaixonado por si mesmo, ou está em adolescência tardia.

Nunca o ser humano será a melhor pessoa do mundo. Temos os defeitos e as doenças da raça. Afinal temos até a sentença final: a morte.

Tente conciliar ser bom e ser justo para ver no que vai dar. Por exemplo: um juiz bom é aquele que absolve ou que condena? O melhor pai/mãe é aquele que sempre diz “sim” para o filho ou sempre diz “não”. A melhor resposta é: depende.

Agora tente ser bonzinho. Estar sempre muito solícito, querer agradar a todo mundo, aguentar qualquer coisa que vier e resistir a tudo em detrimento de sentimentos e das vontades. Pode ser ótimo para os beneficiados, mas e para si mesmo?

Aliás, estou certo que o bonzinho no trabalho é um potencial candidato a incompetente. Chefe bonzinho então pode ser interessante para o empregado mas para a empresa é uma tragédia.

Ser bom ou ser um bonzinho pode esconder o medo intenso de desagradar o outro. É do desejo de contentar todo mundo que nascem as decepções com a família, com os amigos, companheiros ou colegas de trabalho.

Ah! mas então vou ser mau, não vou levar desaforo para casa. Vou bater de frente com quem discordar de mim.

Conheço muita gente assim: e aposto que são infelizes.

Ninguém consegue ser perfeito. Podemos ser bons até certo ponto apenas. Alguns animais dóceis quando atacados e em situação inferior se transformam em monstros para se salvarem.

Que tal adotar um meio termo, adaptado a seguinte equação: 1/3 de bom; 1/3 de bonzinho e 1/3 de nem tanto. Depende da situação, teremos o comportamento adequado, que somado e dividido fica-se média.

Finalizo por onde comecei: “A melhor pessoa do mundo nunca foi uma pessoa, portanto o melhor medidor é a média”.

E mais: hoje em dia ninguém é bonzinho de graça.

João de Araujo

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