PROFISSÃO: acampado

“O que podem esperar do futuro,
constando em seu curriculum como sendo
um invasor de terras alheias”

Tenho por costume colocar nome nos meus artigos, com títulos que despertem a atenção do leitor para o tema abordado. Mas este confesso que quando decidi, achei um pouco estranho, e acredito que você também teve esta impressão.

Ocorre que nos últimos meses aumentaram as invasões dos sem-terra, e como a informação que obtive que são os desempregados recrutados nas periferias, aos quais são prometidos um pedaço de terra, desde que participe no movimento, permanecendo acampado, aí me veio a ideia de usar a profissão acampado.

Pelos acontecimentos e por tudo que está acontecendo este movimento é profissional. Então se esta profissão não conta na classificação brasileira de ocupações, porém existe de fato. Tem estrutura própria e que estão fazendo se certo ou errado, todos já sabem, porém atinge seus objetivos.

Agora sobre a profissão acampado, acho que não é moleza. Fora a promessa de receber um pedaço de terra e se tornar um assentado, e a comida, não recebem mais nada. Acampam em condições precárias, barracos de lona, sem banheiro, sem água e sem infraestrutura.

Trazem crianças e sem nenhuma interferência dos órgãos que deveriam olhar por este menores colocados em condições precárias, ali permanecem a espera de coisa incerta.

Bem que esse pessoal poderiam gastar suas energias em coisas mais produtivas, legalizadas. A minha pergunta é: será que esse pessoal se sujeitariam ficar acampado nas mesmas condições para frequentar uma escola para eles e para os filhos? Pelo menos nunca vi isso acontecer.

O que podem esperar do futuro, constando em seu curriculum como sendo um invasor de terras alheias. Que depredou a patrimônio de terceiros. Que usou a ilegalidade para conseguir algo.

João de Araújo é pós-graduado em RH, advogado e consultor trabalhista e diretor da Abal Gestão de Serviços Ltda