DIFÍCIL: é fazer o que tem que ser feito

“Se não estamos mudando nossa vida todos os dias,
alterando hábitos, alçando novos resultados, superando desafios,
enfim, transformando nossa rotina,
é porque não estamos fazendo o que deve ser feito”

Entre vários e-mails que recebo, um me chamou a atenção. Foi de uma leitora que argumentou sobre as dificuldades de colocar em prática aquilo que escrevo nos artigos. Este problema é por demais conhecido. Noto nas palestras que a maioria ouvem passivamente e poucos anotam o que acham interessante ou tornam realidade o que assistiram. Na primeira semana lembram a metade do que ouviram, e na segunda semana poucos lembram de alguma coisa. Com os textos ocorre idêntica situação, daí a dificuldade de colocar em prática o que está escrito.

A verdade é que em questões de desenvolvimento profissional é muito fácil assistir uma palestra, ler um livro, um artigo de jornal, assistir uma fita, porém a dificuldade está na sua aplicação, daí a razão de nada acontecer e poucos terem acesso ao sucesso profissional.

Ouvi de um consultor empresarial que sua missão é dizer como outros devem fazer, porém nem mesmo ele sabe como, uma vez que a ação é esforço pessoal. Nesse sentido a pedra é entregue bruta, e a lapidação cabe a quem se dispor a fazê-lo. Outro exemplo clássico é quando digo que é fundamental conhecer com fluência pelos menos duas línguas além do português. Para a sua concretização, exige das pessoas no mínimo seis meses de estágio nos e países que falam à língua que se quer praticar, o que a maioria das pessoas não fazem por razões muitas vezes justificadas, porém o fato é que este profissional ficará com pontos a menos em relação a quem cumpriu esta exigência do mercado.

Entendo que as correrias do dia-a-dia, as urgências que atropelam nossa programação fazem com que muitas pessoas deixem de ir à luta para a realização dos seus sonhos. Pode-se ainda argumentar que é fácil falar como fazer, porém o comprometimento exige muito mais do que palavras. Exigem tempo, empenho, dedicação, e uma dose extra de disposição.

As pessoas são responsáveis pela própria carreira profissional e os compromissos cabem a cada um assumi-los. Essa não é apenas uma atitude importante para reforçar nossa missão é também um comportamento fundamental para consolidar o desenvolvimento. Muitas vezes a competência fica em segundo plano, tendo importância o comportamento. A pessoa que exercita um comportamento de ação, mesmo com poucos resultados, está desenvolvendo oportunidades para seu próprio crescimento. Na medida em que sua área de experiência se amplia, você acumula mais aprendizagem, que pode levar a novos e melhores resultados de vida e na sua carreira profissional.

Leve em conta também que muita coisa que você ouve ou lê pode ser descartado. Aplique somente aquela orientação que lhe interessa, e ser for algo em que você acredita. Analise também o quanto valor pode ter para você e qual sua disponibilidade para atuar na questão. Se, depois de pesar todos os prós e contras, você decidir que quer ir a luta, aí sim você pode e deve partir para a ação.

Fazer o que tem que ser feito é perceber a realidade ao nosso redor, refletir sobre ela, gerando atitudes e comportamentos novos, de modo a transformá-la. Temos que: analisar, pensar e agir. O profissional que pensa sobre o que ouviu, leu ou assistiu, abre uma enorme porta que dá acesso a tudo que se deseja experimentar e conquistar na vida. Pensar e agir é mudar a realidade. Se não estamos mudando nossa vida todos os dias, alterando hábitos, alçando novos resultados, superando desafios, enfim, transformando nossa rotina, é porque não estamos pensando, e muito menos agindo, o que equivale dizer que não estamos fazendo o que deve ser feito. E esse é, verdadeiramente, o segredo do sucesso.

João de Araújo é pós-graduado em RH, advogado e consultor trabalhista e diretor da Abal Serviços & Training Ltda