MERCADO DE TRABALHO

Assédio moral no trabalho

Bronca de chefe, dificuldade de relacionamento com os colegas. A maioria dos trabalhadores já enfrentou algum tipo de dificuldade no emprego. Mas quando o desconforto passa dos limites, o funcionário pode estar sendo vítima de assédio moral. A repórter Fabiana Scaranzi ouviu especialistas e mostra o que deve ser respeitado pelos empregados e empregadores.

Palpitações, insônia, depressão, falta de ar… Dá pra imaginar que todos esses sintomas podem ser causados pela maneira como você é tratado no seu trabalho? Tudo isso pode ser resultado do assédio moral. Ele se caracteriza pela exposição do empregado a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho.

“O direito de punição é um direito que pertence ao empregador. A questão está em como essa punição é aplicada. A verbal principalmente é que se tem que tomar cuidado. Então expressões pejorativas, expressões ofensivas devem ser eliminadas do vocabulário da chefia que está punindo”, disse Sonia Mascaro, presidente da comissão trabalhista – OAB/SP
E não só da chefia. O assédio moral pode vir dos colegas de trabalho também. Então, cuidado com os risinhos, piadinhas, ironias que ridicularizam e constrangem a pessoa, fofocas que revelam a intimidade, expressões que inferiorizam, ameaças. Até controlar o tempo de ida ao banheiro pode virar assédio moral.

“O tom de voz também é levado em consideração, então evitar gritos, lógico que todo mundo perde a cabeça um dia ou outro na vida, mas isso não pode ser uma conduta repetitiva”, explicou Sonia Mascaro.

O problema sempre existiu mas somente nos últimos anos passou a ser mais discutido. E atinge todos os níveis de uma empresa, do chão de fábrica ao mais alto executivo.
Dicas para as pessoas que se sentem lesadas:

-Anotar as humilhações com data, local, nome do agressor, testemunhas;

-Evitar conversar com o agressor sem ninguém por perto;

-Exigir por escrito explicações sobre a agressão;

-Procurar o departamento de Recursos Humanos da empresa;

-Caso não consiga resolver, vá ao seu sindicato ou à Justiça do Trabalho.

“A vítima de assédio moral não deve pedir demissão. A menos que ela não agüente mais, ela deve buscar orientação jurídica antes de pedir demissão”, afirmou a especialista. É importante também lembrar que assédio moral é diferente do assédio sexual. “O assédio sexual é uma conduta de natureza sexual e repelida pela outra parte. A partir do momento em que há um envolvimento amoroso não há que se falar em assédio”, completou.

Nos Estados Unidos, o assédio sexual nas empresas é punido rigorosamente. A lei protege quem sofre este tipo de constrangimento. Mas não existe punição para chefes tiranos e empregados que se juntam para fazer pressão emocional contra um colega. Alguns casos já pararam na Justiça. Mas quem sofreu assédio moral não conseguiu apoio da lei. Entre os advogados trabalhistas há muita discussão e até um movimento para regulamentar este tipo de problema.

A Justiça assegura o direito à indenização para as vítimas de assédio moral. Mas o que está fazendo mesmo as empresas darem mais atenção ao assunto é o fato de que empregados emocionalmente saudáveis produzem muito mais. Além disso, chefe autoritário está fora de moda. Hoje ele é aquele que compartilha, que tem equilíbrio emocional e vocabulário adequado para se relacionar com a equipe.

Mais uma dica importante dos especialistas: manter um canal aberto dentro da empresa para denunciar este tipo de problema é o primeiro passo para acabar de vez com ele.

Uma pesquisa nacional feita pelo sindicato dos bancários de Pernambuco revelou que quase 40% da categoria já foi vítima de assédio moral. O problema é tão sério que, pela primeira vez, foi incluído na pauta de discussões do dissídio da categoria.

Fonte: Jornal Hoje – Tv.Globo