PRIORIDADE: desenvolvimento econômico ou humano?

“Estou certo que o desenvolvimento econômico
é um braço do desenvolvimento humano”

Muito se fala em desenvolvimento econômico, e quase nada em desenvolvimento humano. Parece-me que nestas questões a carroça puxa os bois. O que se ouve é que primeiro desenvolvemos a economia depois desenvolvemos as pessoas. No meu modo de pensar nada adianta ser desenvolvido economicamente e subdesenvolvido no aspecto das capacidades humanas.

Como exemplo cito o caso dos americanos que são economicamente desenvolvidos, porém além de grandes poluidores do planeta, constantemente se envolvem em guerras matando pessoas inocentes por causas nem sempre justas, atitudes estas que não se enquadram na ótica do desenvolvimento humano.

Feito estas considerações, muitas vezes passa-se a concordar com expressões em moda sem ter clareza da sua importância, e desenvolvimento econômico é uma delas. Será que podemos mensurar o valor de um indivíduo? Colocar uma etiqueta de preço como se fosse um produto e transformá-lo em parte do patrimônio econômico?

Estou certo que o desenvolvimento econômico é um braço do desenvolvimento humano e por isso deve-se inverter a ordem das prioridades, colocando-o no topo da escala por sua importância.
Mas afinal, quais são áreas mais importantes em que se deve investir para a gestão do desenvolvimento humano?

Entre outras cito três áreas. A primeira delas é o desenvolvimento intelectual, ou seja a capacidade de pensar, criar, gerar soluções e inovar. Deve-se criar um ambiente na qual as pessoas possam aprender e ser estimuladas a pesquisar, difundir e aplicar as suas ideias.

A segunda área é o desenvolvimento social. É a capacidade de se conectar a outras pessoas de diferentes pensamentos, formar redes de contato, trabalhar em equipe e desenvolver fortes laços de relacionamento. Para o desenvolvimento desta área, é necessário que o ambiente inspire os indivíduos a se integrarem socialmente, deixando a competição e desenvolvam trabalhos cooperativos com diferentes povos.

Por último temos o desenvolvimento emocional. É a capacidade de compreender a si mesmo e, por consequência, ser capaz de compreender os outros. É o amadurecimento pessoal e depende de experiências vivenciais: assumir riscos, tomar para si responsabilidades e ser capaz de analisar, de forma transparente e objetiva, os processos e seus resultados. Para o desenvolvimento desse aspecto, é fundamental estar aberto para tentativas e erros, buscando sempre centrar o foco em ações e soluções viáveis.

O jeito com que respondemos aos acontecimentos e a forma como construímos nossa trajetória a partir de um evento é que determina a qualidade de nossa existência.

Está na hora de se dar importância a este assunto. E você o que acha da abordagem deste tema? Acha que estamos no caminho de desenvolvimento humano ou somente econômico? Que tal um Ministério do Desenvolvimento Humano no novo governo? Dê sua opinião, escreva-me. Pense no assunto com dedicação. Se estiver de acordo com este pensamento e quer mudar, comece mudando este conceito em você. Converse com a sua família, e depois com a sua comunidade. Fale e discuta o assunto na sua empresa. Avance ainda mais para coletivamente exigir dos governantes que implementem o desenvolvimento humano como prioridade. Este é sem dúvida o melhor investimento e seu retorno é garantido.

João de Araújo é pós-graduado em RH, advogado e consultor trabalhista e diretor da Abal Gestão de Serviços Ltda