SUFOCO: na Justiça do Trabalho

“Ninguém ignora existir no Brasil
uma enorme comunidade de profissionais que
vivem do conflito trabalhista”

O Brasil tem 9 milhões de processos na Justiça do Trabalho. Os Estados Unidos tem 75 mil, a França tem 60 mil e o Japão tem 1 mil.

Com esses dados, a pergunta inevitável é: o que está acontecendo entre patrões e empregados, ou melhor, entre colaboradores e parceiros? A resposta óbvia é que está havendo uma confrontação, que deve ser substituída pela cooperação, sendo preciso para isso uma lei que instigue o entendimento e não o conflito como prega a nossa ultrapassada legislação trabalhista.

No relacionamento trabalhista brasileiro vive-se um clima de conflito permanente, enquanto nossos competidores de outros países buscam um clima cooperativo, porque aprenderam que para vencer a guerra da concorrência, empregados e empregadores precisam se entender e acabar com essa guerra de reclamações na justiça.

Ninguém ignora existir no Brasil uma enorme comunidade de profissionais que vivem do conflito trabalhista. O Brasil tem mais de 500 mil advogados, o Japão tem 14 mil. É a diferença entre uma sociedade de conflito e outra de consenso.

A Justiça do Trabalho sofre com uma avalanche de 2 milhões reclamações por ano, provenientes do antagonismo entre o capital e o trabalho que exige reformas estruturais em todos os aspectos. As demissões , leis ultrapassadas, fazem parte das razões que levam trabalhadores e empresas a se enfrentarem na Justiça do Trabalho.

Especialistas em Recursos Humanos e Direito, afirmam que a melhor maneira de evitar o problema ainda é cumprir a lei . A questão é como cumprir uma lei trabalhista que está fora da realidade que vivemos e trabalhamos. Mal comparando seria a mesma coisa que querer colocar o metrô na trilha dos tropeiros.

É necessário que os contras se flexibilizem, e a sociedade através das suas entidades representativas pressionam os legisladores para que introduzam mudanças radicais e modernas, que resultem em transformações efetivas na relação capital e trabalho.

Só assim o Brasil se transformará num país competitivo e livre de grande parte do conflito judicial, fazendo com que os nossos trabalhadores não sejam tratados como incapazes para então almejar a equiparação aos trabalhadores do primeiro mundo.

João de Araújo é pós-graduado em RH, advogado atua na área trabalhista, diretor da Abal Gestão de Serviços Ltda.

 

 

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