INVASÃO: problemas da vida pessoal no seu trabalho

“Entre os prós e os contras,
encontrar o equilíbrio na solução dos problemas
é um dos maiores desafios dos
gestores de Recursos Humanos.”

Hoje qualquer profissional sente a invasão dos problemas da vida pessoal no seu trabalho. Isso ocorre porque as organizações estão enxutas, a competitividade em alta e muita briga por espaço no trabalho, e quem sobrevive tem de se desdobrar para dar conta do recado.

No entanto, a relação entre a casa e trabalho pode ter consequências no desempenho profissional em decorrência de alguns problemas de ordem pessoal.

Como o empregador deve agir quando uma doença, um aperto financeiro ou uma crise conjugal tira do prumo um integrante da equipe?

A questão requer uma boa dose de sensibilidade, pois ainda se está muito longe de qualquer consenso sobre se há espaço no duro mundo dos negócios para demonstrações de fragilidade. Os especialistas em Recursos Humanos são categóricos em afirmar que as empresas são muito pressionadas pela concorrência e precisam da produtividade máxima de cada funcionário. Não podem se dar ao luxo de ter custos com quem está produzindo pouco.

Consideram ainda que no passado demonstrar vulnerabilidades já não caía muito bem, hoje, muito menos, e que as empresas ainda valorizam o profissional que sabe separar o lado profissional do pessoal, sendo que, com a competitividade, a figura do chefe camarada periga desaparecer.

Mas há também uma corrente que defende a compreensão, de que não há como separar o lado humano do profissional. Ao cruzar a porta da empresa, ele não deixa os problemas lá fora e nem se desfaz dos problemas do trabalho ao chegar em casa. As empresas que cuidam bem de seus funcionários conseguem vantagens competitivas. É também de se avaliar se o problema é momentâneo, em que a empresa deve ter uma certa tolerância e conceder chances de recuperação. Se o desempenho continuar aquém do esperado, outras atitudes poderão ser implementadas podendo chegar à demissão.
Entre os prós e os contras, encontrar o equilíbrio na solução dos problemas é um dos maiores desafios dos gestores de Recursos Humanos. A primeira pergunta é: o que fazer? E a resposta pode variar a cada caso, tendo o cuidado de saber abordar o assunto sem que pareça uma intromissão na vida particular do funcionário. A conversa não deve enfocar o aspecto pessoal, mas sim à queda de produtividade.

Os reflexos de uma atitude solidária podem se irradiar pela empresa servindo de exemplo para outras pessoas, além de melhorar a qualidade do relacionamento dos funcionários com a empresa. Quando a organização enfoca somente a dimensão econômica, as pessoas ficam com o freio de mão puxado, isso gera um passivo emocional e um clima de desconfiança.

No entanto para o caso ainda vale a regra em que na solução de qualquer problema os dois lados devem sair ganhando.

João de Araújo é graduado em RH, advogado e consultor trabalhista e diretor da Abal Gestão de Serviços  Ltda