MERCADO DE TRABALHO

Doenças do trabalho

Quem já não sentiu uma dorzinha no pescoço depois de ficar horas na frente do computador? Ou então aquela dor nas costas depois de um dia inteiro de trabalho? Esses incômodos são sintomas de doenças do trabalho. A repórter Fabiana Scaranzi mostra as medidas que as empresas estão adotando para diminuir esses problemas.

Espreguiça daqui, puxa dali, alonga… Você faz isso quase sem perceber mas é como se o corpo pedisse essas pequenas pausas. E pede mesmo. Tem gente que trabalha 14, 15 horas sentada. Resultado: muitas dores no corpo. “A doença que acomete, é acomete os membros superiores e a coluna vertebral, né, que nós chamamos genericamente de lerdort, distúrbios ósteos musculares relacionados ao trabalho”, disse o Dr. Rodolfo Repullo Júnior, médico do trabalho do HC.

São sintomas que vêm de mansinho, mas estão presentes ali quase todo dia principalmente em quem trabalha horas em frente ao computador, por exemplo. “Pode causar dor de cabeça, tontura, principalmente quando pega a região de pescoço e ombros, e uma baixa produtividade levando inclusive a uma demissão por causa dessa baixa produtividade”, afirmou o médico.

E isso ninguém quer. Então o jeito é prevenir. Algumas empresas até já tomaram providências porque muitos funcionários pedem um período de afastamento pra se tratar. Pra amenizar o problema os empregados fazem agora ginástica laboral.

No Estado de São Paulo, de acordo com o INSS, a L.E.R. é a segunda causa de afastamento do trabalho. No país, ela ocupada o terceiro lugar. Os operadores de telemarketing estão entre os profissionais que mais desenvolvem esse tipo de lesão. Uma empresa, em Mogi das Cruzes, encontrou uma alternativa para prevenir a doença. É a ginástica laboral. Desde o início das atividades nenhum caso de L.E.R. foi registrado na empresa. Além disso, os operadores também são orientados sobre postura, já que ficam sentados, em média, seis horas por dia.

Se a sua empresa ainda não adotou a ginástica laboral alegando que isso só é coisa de quem trabalha em frente ao computador, ela está errada. Fazer exercícios independe do ramo de atividade.
Mas segundo os médicos, só isso não resolve o problema. Outras medidas também devem ser adotadas: “Verificar exatamente a sua capacidade, quando ela perceber que o trabalho está começando a causar algum problema de dor, algum incomodo, ela já deve começar a discutir com seu empregador, ou procurar diminuir seu ritmo de trabalho. E fazer várias pausas, a cada 20 minutos”, disse o médico.

Além das lesões por esforço repetitivo e intoxicações, stress e doenças mentais se tornam cada vez mais freqüentes. O chamado esgotamento profissional, ou burn out, em inglês, tem crescido, segundo os especialistas. A pessoa perde o equilíbrio emocional e não consegue trabalhar direito por causa do medo de perder o emprego, pela grande competição no mercado e a constante pressão a que é submetida.

Também nesse caso, cabe ao empregado perceber que está passando do seu limite e pedir ajuda, e ao empregador, ficar de olho e tomar medidas que evitem que esse funcionário chegue a esse ponto.

Fonte: Jornal Hoje – Tv.Globo