OS INSUPORTÁVEIS

Após descrever todos estes tipos, acho que já fui um deles.
E você?

O bom relacionamento no ambiente de trabalho é um fator fundamental não apenas para a integração das equipes, mas, especialmente, para a boa produtividade. Porém não podemos negar que alguns tipos de colegas de trabalho são verdadeiras “malas” que pousam para infestar o nosso ambiente de trabalho.

Escolhi 10 figurinhas carimbadas que se não quiser levar ao pé da letra, possa pelo menos se divertir com as suas descrições. Confira os mais comuns e, de quebra, saiba como reconhecer, lidar e se afastar quando necessário.

O primeiro da lista é o mascarado. Quem nunca trabalhou com este tipo certamente um dia o encontrará. É do tipo que aterrissa de supetão no departamento, e apesar de ter pouca habilidade para o “trampo” está certo que é idolatrado. Logo começa com as mancadas e acha que todos estão lhe perdoando. A melhor coisa a fazer é tratar como um quadro decorativo que fica dependurado na parede.

O segundo é o folgado ou lontra. O seu pique para o trabalho é igual à zero, e por isso o seu passatempo preferido e não trabalhar. Pior: arrasta-te para o seu mundinho e ainda exige que você faça parte das se trabalho. Aliás, não se levanta da cadeira por nada, e você tem que aguentar esse folgado. De tão lontra, ele vira antissocial. Se livre desta “tralha” inscrevendo-o na corrida de São Silvestre e convoque-o para treinos diários.

O terceiro é o capacho. Ele é o colega que você pediu a Deus. Faz tudo que você pede sem argumentar ou ter certeza que a sua sugestão vale a pena. Depois de certo tempo trabalhando ao seu lado fica um tremendo sem graça. Ele é carente e costuma ficar sem fala quando está no trabalho. Agora se você é chegado a desabafos este tipo até que pode ser útil. Merece de vez em quando um chacoalho, ou ainda uns croques na cabeça para ficar esperto.

O quarto insuportável é o satélite. Tem problemas em tomadas de decisões e não sabe o que quer. Precisa de um planeta para orbitar, no caso você. Se colocá-lo à distância ele perde a referência, fica sem rumo. É indeciso e vive em conflitos por causa disso. Mudanças repentinas de humor são normais: um dia ele trabalha e no outro enrola. Corra, suma, e se não puder mudar a sua órbita, arme um complô e transfira para outra constelação.

O quinto é o jogador. Antes fosse de futebol, mas o jogo dele é outro. Ele está sempre competindo com você para ver quem tem o controle da situação no ambiente de trabalho, quem é melhor, quem é mais querido, etc. O nome disso? Baixa autoestima e insegurança. Porém é manipulador, cheio de mistérios, frases pela metade e atitudes ambíguas. Se você exige explicações demais, ele se revolta e dá um jeitinho de inverter o jogo. Dê um cartão vermelho a este tipo e informe que a partida para ele já terminou.

O sexto tipo é o administrador. É o tipo que controla seu fluxo de amizades, além de invadir seus relacionamentos profissionais. Em outras palavras: é manipulador, chegando até a controlar os seus horários em favor dos dele, invade a sua vida e dos colegas, mas não deixa que ninguém controle a dele. No fim das contas, na hora de mostrar trabalho, deixa a desejar. Costuma ser egoísta e breve nos contatos com colegas. O trato com esta figura é deixar falando sozinho e começar usar a palavra “não”.

O sétimo insuportável é o sexy. É um tipinho desprezível que não merece perdão. Não se dá nem o trabalho de te esperar virar as costas para encenar exibição ou comentários. Acha-se o melhor do pedaço e elege você para ser o “trouxa” do setor. Seu papo preferido são as conquistas do sexo oposto. Na hora do “vamos ver” no trabalho não dá no couro. Caia fora antes que você tenha uma recaída e seja a próxima vítima.

O oitavo é o traumatizado. Ele morre de medo de assumir uma responsabilidade. O pior de tudo é que já faz anos que trabalha com você, mas os traumas não passam. Ele generaliza e vive desconfiado, achando que todos querem prejudicá-lo. Vive em cima do muro, amargo, cheio de paranoias e crises existenciais. Para este tipo treinamento intensivo é pouco, então doses de chacoalhões são muito bem vindos.

O penúltimo e nono é filhinho do papai. Ele é muito ligado na própria aparência e encarna no chefe a figura do papai. O problema é que age com você, como um bem de consumo. Basta olhar a marca das roupas, e algumas atitudes. Ele está sempre abrindo a carteira para mostrar o que tem dentro. Frequenta os lugares da moda e gasta mais do que pode. Parabéns! Você acaba de encontrar um tipo que gosta mais de futilidades do que trabalhar. A dica é constrangê-lo, rebatendo as criancices dele com bons argumentos. Se você se livrar deste tipo merece um troféu.

O último e décimo é o intelectual. À primeira vista ele até que engana. Ele parece sensível, fala sobre a dívida externa brasileira como fala de Carlos Drummond de Andrade. Ele é inteligente e só tem um, porém: ele não te deixa falar, nunca leva as suas opiniões a sério, está sempre com aquele ar superior. Reconhecer um intelectual é fácil: é eloquente, irônico, adora dar opinião em tudo e ser o centro das atenções. Mas chega uma hora que cansa e aí também é um bom momento para mandar “picar a mula”, e se ele disser que não entendeu explique que é para dar o fora.

Caro leitor, após descrever todos estes tipos, acho que já fui um deles. E você? Caso tenha outros tipos me escreva. Boa sorte!

João de Araujo