MERCADO DE TRABALHO

Menor de idade no mercado

Um batalhão de jovens com menos de 18 anos tenta entrar no mercado de trabalho a cada dia. É, mas é bom lembrar: existem regras claras para dar emprego a essa turma. A repórter Fabiana Scaranzi mostra como contratar o jovem e ainda ajudar na formação profissional dele..

Pra muita gente, eles ainda são crianças. Mas a cada dia eles têm um papel mais importante dentro da família. “A renda dos jovens é muito importante pra renda familiar, pro orçamento familiar. Então é muito difícil você querer impedir que o jovem trabalhe”, disse José Paulo Chahad, professor da USP.

Eles já são 20,6% da população em idade ativa, segundo o IBGE. Mas há restrições para o trabalho do menor. A lei é clara: somente jovens com mais de 16 anos. A partir dos 14 anos, o menor também pode ser contratado, mas somente na condição de aprendiz, ou seja, aquele que vai aprender uma profissão.

Até os 18 anos, o jovem precisa de autorização do responsável para trabalhar e não pode exercer tarefas noturnas e em locais perigosos. O empregador não pode colocar o menor em funções que exijam força física. A jornada de trabalho é diferente pra cada idade: Dos 14 aos 16, seis horas diárias no máximo. A partir dos 16 anos: oito horas diárias.

E se você se sentir explorado…. “Os menores podem denunciar pro próprio Ministério do Trabalho, pro Ministério Público, pode denunciar pros sindicatos”. O salário, deveria ser igual ao dos adultos. Pelo menos um salário mínimo.

Os meninos ainda têm muita dificuldade na fase que antecede o serviço militar. Depois dos 16, 17 anos, fica quase impossível arrumar emprego. Então, as alternativas pra esses jovens são: ou procurar setores que mais facilmente absorvem esse tipo de trabalhador, como o de serviços e comércio; ou então entrar mais cedo no mercado de trabalho.

Uma opção é o Projeto Aprendiz, no interior de São Paulo, por exemplo, onde os jovens a partir dos 14 anos ganham um emprego, mas têm de continuar estudando. Somente em Bauru, 275 empresas trabalham hoje com menores em treinamento. Luís Augusto começou como ‘menor aprendiz’ na aérea de fotocópia e hoje é auxiliar de informática. “Esse emprego significou pra mim uma oportunidade, uma porta de entrada”.

Uma empresa de Sergipe viu nos jovens a oportunidade de formar sua própria mão-de-obra. No laboratório de uma cervejaria no interior do Estado, aprendizes são treinados e conhecem passo a passo a fabricação do produto. Depois da experiência, a maioria deles acaba contratada. Bom para os jovens, que ganham uma profissão, para a empresa, que forma a sua própria mão-de-obra qualificada e até para a região, carente de postos de trabalho.

“Pra gente é muito importante porque a gente já consegue recrutar do mercado pessoas preparadas, com o nosso perfil, prontas para ingressar não só no mercado de trabalho mas também na nossa empresa”, afirmou Elito Siqueira, gerente geral.

Agora os especialistas insistem que é muito importante o jovem não parar de estudar para poder trabalhar. Ter alguma educação, seja em que grau for, aumenta as oportunidades de emprego. Então a regra tem que ser: trabalhar e estudar.

Fonte: Jornal Hoje – Tv.Globo