TERCEIRIZAÇÃO E OS HORIZONTES DO EMPREGO

A rejeição à Terceirização de Serviços é um sentimento comum aos sindicatos laborais especialmente àqueles representantes de instituições públicas e bancárias. Essa negação chega a ser compreensível, se analisarmos questões como a evolução tecnológica e a da informação, alavancadas pela Terceirização. Ambas são responsáveis pelo fechamento de postos de trabalho em bancos e órgãos públicos, levando esses sindicatos, em conseqüência, a perderem lideranças estratégicas.

Além de transformar 70% das atividades normais das empresas em uma verdadeira linha de montagem, segundo o papa da administração moderna Peter Dracker, a tecnologia da informação também globaliza o trabalho. Muitas atividades já são desenvolvidas simultaneamente e em tempo real – caso da Índia – o que tem contribuído para o fechamento de postos de trabalho.

Sob este pano de fundo, percebe-se que a Terceirização corrobora para a abertura e a preservação do já escasso e desacreditado emprego formal porque abre as portas do primeiro emprego para milhares de jovens e recoloca trabalhadores afastados do mercado.

O serviço público, em contrapartida, está precarizado. Com emprego e aposentadoria garantidos, o servidor público não é comprometido com a prestação de um serviço de qualidade ao cidadão, razão de ser do seu trabalho. O mínimo de atenção que o cidadão ainda tem nesta esfera vem do trabalhador terceirizado, cujo bom desempenho implica a manutenção do seu posto.

Portanto, a Terceirização não é a vilã da precarização do emprego. Trabalhadores terceirizados, em sua maioria de baixa escolaridade, encontram nesta modalidade a chance de exercer um trabalho formal em um mercado no qual 60% dos profissionais estão na informalidade. As corporações terceirizadoras oferecem aos seus contratados salários compatíveis com o mercado, ou no mínimo os pisos das categorias, além de benefícios assegurados em Convenções Coletivas de Trabalho, como vale-transporte, auxílio-alimentação e seguro de vida, o que faz do setor uma atividade relevante para o combate ao desemprego no Brasil.

*Ermínio Alves de Lima Neto é membro da Abrasse, Vice-Presidente da Asserttem (Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário) e do Sindeprestem (Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros, Colocação e Administração de Mão-de-Obra e de Trabalho Temporário no Estado de São Paulo)