INDULTO DE NATAL: no ambiente de trabalho

“Obter o “indulto de Natal” não é difícil:
basta uma pitada de empatia e outra de
respeito as características pessoais de cada um”

Uma leitora me questionou de como resolver seu problema de ressentimento contra colegas de trabalho. Disse que a sua aversão é tanta que determinados dias não consegue nem olhar para o profissional que ao seu lado trabalha. Considera-o como um “inimigo” e acha que a recíproca também é verdadeira.

Procurei entender o drama dessa leitora e de sua contra-parte. No ambiente de trabalho e na vida existem vários casos semelhantes, desde aqueles que apenas torcem o nariz quando o outro se aproxima, até aqueles que alimentam contra o outro um verdadeiro ódio.

Existem ainda outras categorias de aversões que são as pessoas que preferem ignorar a existência do colega de trabalho, além de outros que preferem a perseguição, a ofensa e ainda outros que estão na lista negra de alguém.

De qualquer forma todas essas pessoas, os quais estão sendo definidos como inimigos, odiados, ignorados, perseguidos, ofendidos, defino como sendo trabalhadores condenados por colegas de trabalho por “n” razões que não cabe aqui discutir.

Para a empresa não é vantajoso ter profissionais condenados por colegas de trabalho, pois todos estão envoltos em um clima emocional negativo, com reflexos no relacionamento e na produção.

Isso não faz sentido para quem investe diariamente cerca de 12 horas da sua vida em função do trabalho. Se não conseguirmos transformar o local de trabalho num ambiente necessariamente agradável e bem humorado, não irá acabar a infindável série de somatizações que assolam os profissionais dessas empresas, pondo em risco sua saúde física e mental: ansiedade, enxaqueca, depressão, insônia, gastrites e por ai afora.

Foi pensando nestas coisas e também porque o momento é propício, que me ocorreu a ideia de propor a todos os profissionais um “indulto de Natal” no ambiente de trabalho.

No campo da justiça, a prática do indulto natalino já existe há tempos no Brasil. Este ano será indultado milhares de presos condenados. Mas não é sobre isso que quero falar, quis apenas explicar a analogia.

Pensei num indulto de Natal nas empresas como forma de serem recuperadas e retomadas amizades desfeitas, parcerias e coleguismos interrompidos por algum mau entendido as vezes involuntário, inconsciente ou feito por imaturidade, sem falarmos daqueles que resultaram de mera competição.

A relação humana, além de enriquecedora pela ajuda mútua e pela troca de experiências, proporciona o que de mais gratificante as pessoas podem conceder-se entre si: afetividade, calor humano, apoio à auto-estima e solidariedade.

Obter o “indulto de Natal” não é difícil: basta uma pitada de empatia e outra de respeito as características pessoais de cada um. Precisa dar o primeiro passo e tomar a iniciativa de estender a mão, que seja o primeiro a ir até a mesa do outro e fazer uma proposta de paz sem impor condições.

Conviver com as igualdades é muito fácil. A arte do bom relacionamento está em conviver com as diferenças individuais e praticar a capacidade de compreender e perdoar o próximo

Use o clima de Natal como inspiração para conquistar a sua felicidade.

João de Araújo é pós-graduado em RH, advogado e consultor trabalhista e diretor da Abal Gestão de Serviços Ltda.