ARRUMAR EMPREGO: com atestado de óbito

“A realidade é cruel, as fichas de emprego e curriculum
se constituem em verdadeiros atestados óbito para aquela vaga disponível.
Afinal quem não usa os canais corretos para a procura de emprego acabará
sendo “morto” no competitivo mercado de trabalho”

A maioria dos títulos dos meus artigos soa estranho. Este superou todos os já escritos em matéria de estranheza. Sei da responsabilidade de escrever, e neste caso cabe o esclarecimento porque procurar emprego com um atestado de óbito é de matar.

Mas vou provar que isto acontece rotineiramente. Primeiramente devo esclarecer que há muito tempo, quando estou a procura de um determinado profissional uso o cadastro de bancos de dados da Internet.

Os primeiros atestados de óbitos que vejo, são as ultrapassadas fichas de emprego, aliás, este atestado de tão ultrapassado, já não se usa mais. Mas o que muitas pessoas ainda usam é o “curriculum vitae”, que é o documento no qual o profissional reúne informações sobre o que já fez, para justificar o que você ainda pode fazer.

Muito embora, a palavra “vitae” do curriculum signifique vida, o fato verdadeiro é que a maioria das pessoas ainda não perceberam, que qualquer curriculum impresso já é um atestado de óbito, sendo que o termo correto para denominá-lo seria curriculum “mortis”.

Explico. A Internet foi criada para facilitar o acesso às informações com eficiência e rapidez, tornando-se uma ferramenta das mais poderosas para arrumar emprego. Não usando este caminho, é de imaginar o seu curriculum numa pilha para arquivar em pastas que nem sempre são consultados em face do grande volume e demora e da facilidade que a consulta do banco de currículos recebidos pela Internet oferece.

Ao consultar o cadastro de emprego pela Internet, basta digitar a função, ou o tipo de experiência, ou ainda graduação escolar que os nomes aparecem na tela com telefones e endereços, bastando ainda um clique para que o candidato receba um e-mail chamando para uma vaga. Tudo é feito com muita rapidez porque hoje em dia o importante é ser ágil.

Baseado nesta observação que a maioria das empresas decretaram a morte das fichas e dos currículos impressos em papel. É nesta condição que estou denominando de atestado de óbito.

Provavelmente a pergunta que se faz é: como fica o desempregado que não tem computador para acessar a Internet? A realidade é cruel e a resposta inevitável é que uma vez estando seu curriculum no arquivo morto, se constitui em um atestado de óbito para aquela vaga disponível. Afinal quem não usa os canais corretos para a procura de emprego acabará sendo “morto” no competitivo mercado de trabalho.

Mas tenho uma excelente notícia. Quem quiser ressuscitar-se como profissional a procura de emprego terá fatalmente que adquirir um computador e se conectar com a Internet.

No futuro que já começou temos os conectados e os não conectados, sendo que os primeiros seguramente permanecerão vivos para a qualquer momento serem chamados para uma excelente proposta de trabalho, enquanto os demais….

João de Araújo é pós-graduado em RH, advogado e consultor trabalhista e diretor da Abal Serviços Gestão de Serviços Ltda.