CONTE ATÉ UM

Diz o ditado que o ideal para tomada de decisões é contar até dez. Este ditado tem adeptos e seguidores, que sustentam que o espaço de tempo necessário para que você conte de um até dez pode ser decisivo para o seu sucesso na vida pessoal, social e em sua carreira.

Convido você a uma reflexão sobre este tema.

O seu processo de decisão não é algo com que você nasce e cresce com um padrão numérico definido, assim como o seu tom de olhos e pele. Ele é escolha e prerrogativa sua, que deve ser determinado em conformidade com a situação. Se você tomar decisões rápidas e corretas, certamente obterá um grande volume de coisas boas, como também as erradas atrairão para você um sem número de dissabores.

Deixemos fora desta análise a impulsividade, que é próprio daqueles que contam até zero, cujas mentes têm reação imediata ante qualquer incitação ou motivo que surja. Se o mundo está mudando e você não muda, vai acabar pegando carona no conformismo e continuará contando até dez.

A rapidez é causa de vitória em muitas situações seja pessoal ou profissional, fica evidente que “contar até um” é o mesmo que estar sintonizado com a velocidade que a atualidade exige.

O tema é delicado, o que faz exigir uma melhor análise.

“Contar até um”, é não usar de rodeios, é ir direto ao assunto, com descrição expressando o que sente ou pensa a respeito de outras pessoas, assuntos ou coisas. É o tempo de decisão sem manter na reserva, desde que com muita sensatez e equilíbrio não destoando do trato exigido pela convivência, técnica e bom senso.

“Contar até um”, significa dizer que você deve medir com rapidez as consequências dos impactos que as suas atitudes e decisões produzem, tanto dentro da órbita familiar, no meio social que frequenta, ou no ambiente profissional. Imagine o morcego que é cego, se tivesse que contar até dez para desviar de um obstáculo, ou mesmo você, dirigindo a 120 km p/h tivesse que pensar ao desviar de algo que atravessa a sua frente?

“Contar até um”, é não agir fora de hora, fora da oportunidade, ou sem cálculo e sem medida, devendo estar ciente que não deve ser a causa dos seus infortúnios, não se deixando mover por impulso incontrolável, expondo-se às contrariedades e consequências de uma palavra, de um gesto ou uma ação irrefletida.

Já caminhando para o final deste tema, quero alertar para a importância do controle das suas ações e reações, mas o alerta mais importante é para que você “conte até um” e não “até dez”, pois nesse ínterim de nove dígitos muita coisa pode acontecer. Por exemplo: se numa entrevista disser a primeira coisa que vem a cabeça ou demorar muito para responder uma questão pode ser dar mal por parecer ansioso ou indeciso.

Por fim, se você padece da deficiência de ser impulsivo ou de dar um tempo, comece a analisar esta questão em sua vida, pois “contar até um”, é poder usar o timer de forma objetiva para poder não estar atrás e nem na frente de uma decisão, mas no momento certo.

João de Araujo