SINDICATOS: pra quê?

SINDICATOS: pra quê?

Este artigo foi escrito originalmente em agosto de 2003. Pois bem, uma pesquisa encomendada pelo presidente da FIESP, Paulo Skaf, publicada na revista Veja, edição 2099 de 11/02/2009, http://veja.abril.com.br/110209/holofote.shtml, mostra que os industriários consideram seus sindicatos a instituição menos confiável para mitigar os efeitos da crise. Só 35% deles aprovam o desempenho de suas associações. Para 24%, a atuação dos sindicatos junto ao patronato é ruim ou péssima. Confiam mais no governo federal, nos seus próprios patrões e no governo paulista.
João de Araujo

No Brasil existem em torno de dezenove mil sindicatos e seis centrais sindicais. Por mês entra sessenta pedidos de registro de sindicatos. Na Itália existem vinte e cinco sindicatos enquanto que na Alemanha são apenas dezessete. Nem o Ministro do Trabalho sabe exatamente quantos sindicatos estão registrados em sua pasta, tal é o descontrole. No mínimo temos uma república de sindicatos.

Nesse sentido, o Presidente Lula e início do primeiro mandato no ano de 2003, falou o que os seus antigos companheiros não imaginavam ouvir. Em pronunciamento criticou a ação deles e os convocou para trabalhar. A grande diferença entre o que disse o Presidente Lula e o que qualquer outro poderia dizer, é que o Presidente é do meio. Outra pessoa ao pronunciar a mesma coisa corria o risco de ser taxado de “pelego” ou estar conspirando contra a classe trabalhadora.

Lula criticou e combateu as costumeiras pautas de reivindicações nas datas bases em troca de 5% ou 10% e depois ficar o ano todo sem ter o que fazer. “Estamos num momento em que precisamos de menos bravata e mais competência”, disse o Presidente eleito.

Na verdade os sindicatos têm funcionado mais como uma escola de formação de políticos do que defensores da classe trabalhadora. A maioria que entram nos sindicalismo brasileiro tem aspirações em ser no futuro um político. Boa parte dos eleitos estão militando no Partido dos Trabalhadores a qual pertence o Presidente eleito. Se houver alguma vantagem nessa mistura de política e sindicalismo, não é em benefício do trabalhador. Porque se assim fosse, com tantos representantes oriundos do meio sindical, estaríamos todos de bem com o trabalho e com a vida.

Mas o Presidente Lula foi ainda mais longe: “que diabos de sindicalistas revolucionários somos nós, que só sabemos pedir o bem bom onde já está mais ou menos bom?”. Disse Lula aos seus companheiros sindicalistas, que meio atordoados não acreditavam no que ouviam.

O interessante é que os companheiros presentes foram unânimes em concordarem com a bronca do chefe. Saíram de fininho mais vermelho do que a própria bandeira do Partido.

Depois dessa, acho bom os sindicatos repensarem qual é a sua real missão: se para formar políticos, para fazer greve, ou pedir aumento na data base, ou ainda melhorar as condições e a vida dos trabalhadores do Brasil.

O Brasil precisa de reformas na legislação trabalhista, que somente não saiu devido o barulho dos sindicalistas contrários.

Ouço constantemente de administradores de Recursos Humanos que estão cansados de receberem boletos bancários para pagamento da tal contribuição sindical decidido em assembléia por meia dúzia de sindicalistas. Tentam arrancar de trabalhadores que não são sindicalizados uma cobrança ilegal, afirmam estes profissionais. Que se reforme a legislação sindical também.

E agora? O que pretendem fazer os sindicatos? Estão no poder da Presidência da República e precisam ainda encontrar o seu rumo. Espero que esqueçam tudo o que aprenderam e pregaram, e busquem novas alternativas para os trabalhadores brasileiros. Inovem nas suas ações em prol do bem estar social dos nossos companheiros trabalhadores. E mais, em vez de representar somente os incluídos, está na hora dos excluídos também serem representados pelas entidades sindicais.

Assim juntando o governo, a empresa, e o trabalhador, todos com suas respectivas representatividades e que antes de tudo saibam reconhecer seus problemas para poder enfrentá-los com ações e medidas concretas, tendo em mente um único objetivo, só assim estaremos dando um grande passo a um novo trabalho.