SOCORRO: estão acabando com os empregos

“O trabalhador brasileiro não merece
nem quer mais ser tratado como incapaz”

O trabalhador brasileiro não merece e nem quer mais ser tratado como incapaz, embora muitos insistam que esse tratamento deve permanecer eternamente.

Os tempos mudaram, a legislação trabalhista se tornou obsoleta. É possível que a sua reforma ocorra num futuro distante, porém a continuar faltando emprego, e quando ocorrer a tal reforma não teremos nenhum trabalhador para que faça seu uso, a CLT passará a ser peça de museu, como o Código Comercial Brasileiro.

A discussão sobre as mudanças na CLT está gerando mais tempestade do que luz, e desse mato não sairá nenhum coelho.

A demorar muito tempo para uma solução, é de se imaginar uma nova geração sem emprego. Serão os netos dos governantes e legisladores que são contras e também dos que são a favor e nada fazem, contando aos seus amiguinhos que a culpa do caos que vivem são dos vovôs. Da minha parte, muito embora não seja e nem serei nenhum desses, já estou me garantindo escrevendo a minha indignação e guardarei como prova se for confundido com um deles.

Todavia, falta-nos um modelo para a modernização das relações de trabalho em sintonia com o mundo globalizado em que vivemos, a proposta do governo de mudança é igual a nada.

Porém antes que o emprego acabe de vez vou citar alguns problemas. Para começar o emprego só existe para 25% da população, o restante são todos informais, portanto emprego é uma coisa e trabalho é outra coisa.

Esses que tem emprego, os chamados formais, geram um gasto para a empresa de no mínimo 103% do seu salário. É a mesma coisa que ser punido para contratar. Além do mais se o fiscal do trabalho visitar estas empresas sempre terá motivo para multar, tal é o emaranhado e quantidade de leis a cumprir. Se este formal então tiver trabalhado em um feriado é multa na certa e das mais pesadas.

Se desligado da empresa sempre encontrará um advogado apontando um conflito a resolver. Por falar em conflito o governo gasta cerca de 3,5 bilhões de reais por ano com o custeio da Justiça do Trabalho, sem falar em novos prédios, como o do TRT, em São Paulo. No setor privado são centenas de milhares de advogados e especialistas militando dentro e fora das empresas a um custo difícil de estimar. Soma-se a isso o valor total das indenizações pagas por ordem da Justiça do Trabalho, que não chega a 3 bilhões.

O custo dessa “proteção social”, portanto, parece desproporcional a seus benefícios. A título de simplificação, a proteção deve existir somente para quem precisa, tal como os incapazes, analfabetos , menores, etc. Se decidir não tirar férias, ou abrir mão de alguns direitos, porque não poder exercer estas opções? Os intermediadores instituídos para resolver os problemas dos trabalhadores, estão mais interessados em resolver os seus problemas deles do que os nossos. Afinal não somos incapazes e não queremos ser tratado como tal, pois tudo que assinamos com quem nos contratam deve valer para todos os efeitos. Aliás, 70% da população que são considerados informais, não tiram férias há muito tempo, e não tem nenhuma garantia de direitos, trabalham os dias que querem, muitas vezes até sem o tal do descanso semanal remunerado e faturam sem nenhuma legislação que os regulamente.

Só para se ter uma ideia os trabalhadores que estão em piores condições, muito abaixo dos favelados são os trabalhadores rurais, que não tem uma viva alma discutindo os seus problemas.

E para piorar de vez, já que é para acabar com os empregos nas empresas, o golpe de misericórdia vem dos governantes que só pensam em instituir e arrecadar impostos. Mas nem tudo está tão ruim assim, se o emprego está em baixa nas empresas, o contrário ocorre na área política, onde os empregos estão em alta para uma única categoria: a dos cabos eleitorais.

João de Araújo é pós-graduado em RH, advogado e consultor trabalhista e diretor da Abal Gestão de Serviços Ltda