MEU PRAZO DE VALIDADE ESTÁ VENCIDO

Creio que existe trabalho para todas as idades, mas a idade vale pontos na hora da contratação.

Visitou-me um experiente profissional a qual relatou-me seu drama de ser preterido em um processo de seleção porque seu prazo de validade profissional estava há tempo vencido, afinal sua idade beirava os 50 anos e como tinha uma vasta cabeleira branca aparentava 10 anos a mais.

O tema da validade profissional, ou melhor, da idade, me leva a constatar que muito embora as empresas não assumam, mas o preconceito tem vigorado nos últimos anos, como um critério velado em seus processos de seleção.

Adotam o discurso de que o importante são as habilidades do candidato, porém na prática o que o mercado tem visto é a data de validade do profissional, um prazo limitado para utilização da suas experiências, sendo que a maioria das empresas tem em sua política de contratação de profissionais, a preferência em dar oportunidades de trabalho para candidatos com faixas etárias entre 25 a 35 anos.

Meses atrás li num jornal local de grande circulação, que foram rejeitados no processo de seleção de um grande empreendimento comercial, candidatos com mais de 35 anos. A intermediação era feita por uma importante entidade sindical.

Pergunto: os profissionais ou diretores de organizações que ordenam essa discriminação pela idade será que não envelhecem? Será que ao completarem 35 anos eles se auto demitem da empresa? Ou a regra vale somente para os outros e não para eles? A gravidade do caso aumenta quando o sindicato que deveria defender uma política socialmente justa para inclusão de todos no mercado de trabalho, concorda em intermediar a viabilização do preconceito.

E vou mais longe: será que esse empreendimento comercial na hora de vender o seu produto também tem critério de idade?

Outra pergunta ocorre quando um jovem no início da carreira fica com uma questão martelando na cabeça: como ter tanta experiência se não me dão chance de me preparar e enfrentar desafios na minha idade? Ouço sempre desses jovens: como ter experiência se não tenho a oportunidade de adquiri-la? E dos mais velhos: do que adiante ter adquirido tanta experiência se não tenho a oportunidade para aplicá-la?

Há tempos atrás uma agência de empregos da cidade implantou um cadastro de profissionais com mais de 40 anos. O fato por ser inédito mereceu uma reportagem na TV, o que resultou em milhares de candidatos com profissões variadas. Visitas nas empresas da região foram feitas, colocando a disposição o cadastro de profissionais com idades acima de 40 anos. Lamentavelmente o resultado foi de nenhuma colocação. Esse fato indica a certeza de que há muita discriminação em relação à idade do trabalhador.

Muito se fala em responsabilidade social, que começa verdadeiramente dentro da empresa. De nada adianta propalar ajuda social se dentro da própria casa se pratica a exclusão por idade, o que nada tem de responsabilidade social e tem muito de injustiça contra os candidatos.

Creio que existe trabalho para todas as idades, os mais jovens precisam trabalhar para dar início a sua carreira profissional, os mais velhos precisam aplicar as experiências adquiridas, e até os aposentados precisam praticar o seu trabalho para não cair na inatividade.

As empresas devem encontrar ponto de equilíbrio, mesclando os mais jovens com mais velhos, integrando trocas de experiências entre as faixas etárias, como também devem os nossos legisladores e governantes criar incentivos para contratação das idades discriminadas.

João de Araujo é pós graduado em RH, advogado e consultor trabalhista e diretor da Abal Gestão de Serviços Ltda.

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